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domingo, 11 de março de 2012

O alerta da chave;



Ontem eu abri a porta, abaixei, encostei os cotovelos nas pernas, e as mãos no queixo, e deixei o ar entrar, puro, leve, fresco, e familiar. É engraçado se sentir vazia, até sem órgãos, é como se o vento batesse só em paredes, só que vazias, sem nada pra tornar o vento com tua rapidez fazer uma curva leve, e sim se manter num plano cartesiano, completamente reto. Quando o vento entrou, eu soube receber cada suspiro na face, cada rajada familiar se encostando na ponta do meu nariz e se arrastando no resto, fazendo com que cada espaço vazio se tornasse gelado, porém uma novidade que excita, que faz brilhar meus olhos, em que todos os segundos de cada rajada o vazio ficava mais vazio, e fazia uma arrepiada fraca, onde cada chave e copia desta porta será jogada fora. Por dentro do meu cabelo, de cada milimetro do rosto, e pescoço, era o esforço da vinda do outono quem sabe. Levantei peguei a chave pendurada na maçaneta e joguei longe, tão longe que não vi nem ouvi o baque dela no chão, e sorri por ver que ela no momento lançado tinha desaparecido, e que o vento tenha levado ela pra longe, deslizei para dentro e abri totalmente a porta, até o fim e a segurei como se fosse a única coisa em que me deixaria em pé, lutando contra um vento furioso porém o vento que fez meus músculos virarem algo macio e e fez minha respiração se acalmar. Fui saindo, andando de costas para pegar meus truques lá dentro, um relógio e talvez um coberto, a espera do final da tarde é muito longa, e teria que ficar bem há espera do sol se por. No fim disso o vento se acalmaria e voltaria para o conforto, e imaginaria por horas a história multiplicada por diversas vezes, na cabeça até eu levantar no dia seguinte e sentir o vento soprar até o fim da tarde.

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